domingo, 8 de janeiro de 2012

A MAGIA DAS FLORES E FOLHAS

As flores expressam a harmonia divina e proporcionam paz e serenidade mental aos que sabem aprecia-las.

A arte dos arranjos florais, estimula a criatividade e proporciona a paz interior, e a Umbanda como síntese, vela pela preservação da tradição dessa arte sublime.

A magia com flores é milenar e se preservou na arte do Ikebana que, até o final do século 19 era uma prática restrita apenas aos homens.

Assim como as flores, as ervas também são de fundamental importância para a restituição e a reconstituição do equilíbrio nos médiuns de Umbanda pois, a natureza preserva a harmonia divina e os elementos naturais carreiam o Axé ( força ) da natureza.

As importantes correlações referentes aos sete Orixás, inclusive as essências que podem ser adquiridas em casas especializadas na comercialização de materiais para formulação de perfumes. Essas essências podem ser utilizadas na forma de banhos para restabelecimento do equilíbrio psico-aurânico bem como para a conservação do mesmo. No banho de essência utilizamos apenas três gotas para um litro de água pois, o excesso pode ser prejudicial, e no primeiro mês de uso fazemos o banho somente uma vez por quinzena e posteriormente uma vez por semana. Esse banho deve passar por todo o corpo, e para isso deve ser despejado por cima da cabeça ( ori ) passando por todo o corpo, após o banho normal de higienização.

O banho de ervas não deve ser usado a qualquer momento e se presta mais a desimpregnações e fixações mediúnicas e não deve ser despejado sobre a cabeça mas, sim a partir dos ombros. E para quem queira se banhar com as ervas, deve seguir a uma série de observações importantes principalmente na origem e no que tange a colheita das ervas que, deve ser executada em uma lua positiva ( nova ou crescente) pois, nessa época a seiva da planta se localiza nas folhas e na quinzena lunar negativa ( cheia e minguante ), a seiva se encontra próxima a raiz, ficando as ervas portanto, energeticamente defasadas .

Esse banho deve ser feito por infusão, ou seja, fervemos a água, a retiramos do fogo, colocamos as ervas e esperamos até que a mistura esfrie o suficiente para aplicá-la no corpo após o banho normal de higienização. Outra orientação é que se coloque um pedaço de carvão sob cada pé no momento do banho que deve ser despejado no corpo, no sentido do pescoço para baixo, ou seja, não deve ser despejado na cabeça. E basicamente é muito positivo utilizar nesse banho apenas uma erva da vibração de Oxalá ou uma erva da vibração original ( relacionada ao signo ) do médium que usará o banho.

As entidades de Umbanda, também utilizam a energia vegetal na forma de defumação, a fim de amortizar energias de choque oriundas do baixo astral e no intuito de aproveitar o equilíbrio natural dos vegetais para re-harmonizar nosso organismo por meio da absorção, via respiração, da energia emitida por essa aroma-terapia que é decodificada por nosso organismo por meio do rinoencéfalo.

Para melhor projeção das energias provenientes da defumação, a mesma deve ser feita em um turíbulo de barro e deve obedecer a critérios específicos que qualificam e quantificam as ervas ou essências utilizadas para esse fim.

Uma defumação positiva utilizada para desagregar energias negativas pode ser composta de três porções de erva-doce, com uma porção de cravo e uma porção de canela. Para defumar pessoas o importante é que a fumaça seja inalada ou seja, não é necessário 'fulmigar" a pessoa com excessiva fumaça pois, uma emanação sutil que possa ser sentida pela respiração já produz efeitos notáveis.

A nível superior podemos utilizar o incenso puro na forma de pequenas pedras utilizadas no turíbulo ou mesmo de varetas especialmente preparadas que podem ser adquiridas no comércio. A fumaça do incenso assim como a do sândalo e de outros elementos, veicula pedidos superiores e eleva nosso tônus vibratório

Para defumarmos ambientes como casas ou estabelecimentos comerciais, devemos fazer a defumação dos fundos do estabelecimento para a entrada ou seja, direcionaremos os fluídos negativos para fora da casa em questão. E para potencializar esse processo podemos deixar uma cumbuca de água com sal atrás da porta de entrada que deve ser substituída semanalmente, e podemos utilizar certos pontos cantados ou mantras que possuem o poder de direcionar as energias da natureza aumentando a eficácia do trabalho magístico.

Com essa mesma filosofia, as entidades ditas como caboclos e Pais-velhos, fazem uso do fumo nas sessões de caridade dos terreiros de Umbanda.

Portanto, não é correta a exortação de leigos que atribuem que o uso do fumo em forma de charutos e cachimbos pelas entidades de Umbanda seja decorrente de uma pseudo-inferioridade ou um suposto vício que esses seres astralizados trazem de vidas anteriores.

Existe portanto, um véu entre a aparência e a essência da Umbanda que raras pessoas podem conceber e mais raras ainda são as pessoas que se desprendem dos aspectos místicos e míticos e adentram o nível cósmico da Umbanda e da vida.

Como disse Shakespeare:

" Existem muito mais mistérios entre o céu e a terra do que supõem nossa vã filosofia..."


Alguns exemplos de flores:

lírio branco – Oxalá ;
rosa Branca – Yemanjá ;
crisantemo branco – Yori ( Ibeji );
cravo branco - Xangô ;
violeta – Yorimá ( Obaluaye ) ;
palmas vermelhas – Oxossi ;
cravos vermelhos – Ogum ;

PREPARANDO AS FOLHAS

INFUSÃO
Para partes macias das plantas, folhas e flores, coloca-se a erva triturada, em recipiente de porcelana, ou de barro, ou ainda, de vidro, despejando água fervente, deixando em repouso por 15 minutos, coberta por um pano branco.

DECOCÇÃO
Para madeiras, raízes, sementes, caules ou partes duras das plantas. Pega-se um recipiente e coloca-se a planta junto com a água fria e leve ao forno, dependendo da planta, por 10, 20 ou 30 minutos. Existe um termo “decoto de meio”, que significa deixar a água fervendo até que se reduza a metade de seu volume, depende da indicação.

MACERAÇÃO
Principalmente para folhas e flores. Coloca-se uma erva triturada em recipiente de porcelana, despejando água fria, cobre-se o recipiente, deixando-o repousar em local fresco, por um ou mais dias, dependendo da indicação. Este preparo permite uma maior duração. A maceração também é feita com vinho, álcool, óleo, azeite.

COAGEM
Deve ser feita sempre em filtro de algodão ou linho. Também podem ser usados coadores descartáveis.

TINTURA
É preparada colocando as ervas em imersão no álcool, principalmente o de cereais.
Coloque a erva triturada em vidros, de preferência âmbar, até 30% do volume, adicione o álcool até completar 90% e complemente os 10% restantes com água destilada. Guarde o vidro em local escuro ou enterre-o por 20 ou 30 dias.

UNGUENTOS
Para uso externo. Três partes do sumo fresco da erva a ser utilizada, para cada 10 partes de gordura vegetal. Cozinhar em banho-maria durante uma hora.

COMPRESSAS
Para ferimentos, batidas. Lava-se bem a planta, antes de aplicar nas feridas, espreme-se a planta diretamente sobre a pele, coloca-se a planta sobre a pele e amarra-se com uma faixa. Podem ser feitas compressas com chás e tinturas, neste caso é recomendado utilizar um pano de algodão dobrado três vezes, embebido no líquido e colocar em cima com um pano seco.

PÓS
Cascas e rizomas podem ser reduzidos a pó. Neste caso elas devem estar bem secas e serem piladas.

XAROPES
Erva seca ou verde triturada, adiciona-se uma xícara de água fervente, deixando em repouso por 2 horas, filtrar, colocando na proporção de um para um, mel ou açúcar mascavo derretido. Pode ser adicionado extrato de própolis para conservar.

BANHOS
Podem ser preparados por infusões e macerações à frio.

DEFUMAÇÕES

O efeito é sempre melhor se utilizarmos com o material mágico apropriado. Conchas e turíbulos com carvão.
Observação: As plantas nascidas no seu próprio habitat, possuem uma força maior do que as cultivadas. Como orientam nossos mentores, a planta que cresce naturalmente no seu próprio jardim é aquela que veio para cura-lo. . Quando vamos colher as plantas, precisamos estar atentos se não estamos muito próximos ao asfalto, porque a erva pode estar afetada pelos gases dos automóveis, verificar se na área existe o uso de agrotóxicos.

sábado, 29 de outubro de 2011

AS FOLHAS,OS ORIXÁS E SEUS SIGNIFICADOS

Trabalhar no sentido da preservação do meio ambiente é dever de todos, pois osseres viventes precisam de água, ar e ervas para a manutenção da vida. Todos os seres racionais e irracionais são apegados a ela, todos têm o dever e o direito de preservar a vida, por isso devemos cuidar da natureza e tudo que a ela pertence.

Os orixás são representados pelas forças da natureza: água, terra, fogo e ar. Sem esses elementos e sem as folhas, não tem orixá; em conseqüência, os que cultuam essas forças, têm o dever de preservar a natureza acima de tudo. As folhas e as águas doces e salgadas representam a natureza; não só para adeptos do candomblé, mas para todos os seres viventes do reino animal e vegetal.

Os cultuadores dos orixás trabalham, celebram, vivem e morrem manuseando folhas e águas. Por este motivo, a natureza é de essencial importância para o funcionamento da religião. Segundo Nanã, Ebami,(pessoa com mais de sete anos no culto), do terreiro Opô Afonjá, localizado no São Gonçalo do Retiro; “No culto aos orixás, a natureza é força maior, e sua preservação se fez absolutamente necessária. Todos os seres do mundo homem, animal ou vegetal, precisam de água para todos os fins; com água e folhas fazem-se remédios, mesmo nos produtos químicos, alguma porcentagem mesmo que mínima de erva faz parte, o que nos torna defensores da natureza”.
No terreiro visitado, Opô Afonjá, há como em todo terreiro uma grande área de vegetação, composta de árvores e plantas de várias espécies, destas são retiradas às ervas para os cultos, remédios e trabalhos espirituais.
Não tem como falar de vegetação sem falar do orixá responsável pelas matas e florestas, o detentor do poder de cura através das ervas, Ossain, o chamado de o rei das folhas. Este orixá é conhecido como o protetor dos médicos, farmacêuticos e de todos que fazem remédios que tratam da saúde.

O autor Reginaldo Prandi, em seu livro Mitologia dos orixás nos conta uma pequena história sobre este Orixá:

Ossain dá uma folha para orixá - Um dia Xangô que era deus da justiça, julgou que todos os orixás deveriam compartilhar o poder de Ossain, conhecendo o segredo das ervas e dom da cura. Xangô sentenciou que Ossain dividisse suas folhas com os outros orixás, mas Ossain se negou a dividir suas folhas. Logo Xangô ordenou que Iansã, deusa da tempestade soltasse o vento e trouxesse ao seu palácio todas as folhas das matas de Ossain para que fossem distribuídas aos orixás. Iansã fez o que Xangô determinara. Gerou um furacão que derrubou as folhas das plantas e as arrastou para o palácio de Xangô. Ossain percebeu o que estava acontecendo e gritou: “Euê uassá! – As folhas funcionam!”. Ossain ordenou as folhas que voltassem as suas matas e as folhas obedeceram às ordens de Ossain. Quase todas as folhas retornaram para Ossain. As que estavam em poder de Xangô perderam o axé, perderam o poder de cura.

O orixá rei, que era justo, admitiu a vitória de Ossain. Entendeu que o poder das folhas devia ser exclusivo de Ossain e que assim devia permanecer através dos séculos. Ossain, contudo, deu uma folha para cada orixá, deu uma a euê para cada um deles. Cada folha com seus axés e seus ofós, que são cantigas de encantamento, sem as quais as folhas não funcionam. 0ssain distribuiu as folhas aos orixás para que eles não mais o invejassem. Eles podiam realizar proezas com as ervas, mas os segredos mais profundos ele guardou para si. Ossain não conta seus segredos para ninguém, Ossain nem mesmo fala. Os orixás ficaram gratos a Ossain e sempre o reverenciam quando usam as folhas.

Apesar de Ossain ter uma grande importância no candomblé o IroKo (orixá representado por uma árvore, gameleira branca) também é muito importante. Pois no seu pé é assentado após o termino das obrigações, todas as oferendas de outros orixás, e o tronco é enfeitado com um ÒJÁ FUNFUN - pano branco.

Edson Eder, ogãn da Casa Branca, conta a importância e a história deste orixá. “Iroko representa o tempo. Foi a primeira árvore da terra. Existe desde o princípio dos tempos a tudo resistiu e a tudo resistirá... Este orixá traz fertilidade para as mulheres. Tem uma lenda mesmo que diz que uma mulher pediu um filho a Iroko e que ela daria a criança como oferenda.

Iroko lhe deu o filho que tanto queria, mas a mulher por amor ao seu filho não cumpriu com a promessa. Um dia quando a criança brincava a mãe foi buscá-la e Iroko a lembrou de sua promessa, Iroko pegou a criança para si. A mãe desesperada consultou um adivinho, que mandou ela fazer um boneco de madeira e colocar nos pés de Iroko, quando ele estivesse dormindo. Feito isso, a mãe recuperou seu filho e Iroko até hoje tem a seus pés o boneco de madeira como se fosse sua criança”.

Uso das folhas - Pierre Verger, em seu livro Ewé, coloca que se para a medicina ocidental o conhecimento do nome científico das plantas usadas e suas características farmacológicas é o principal, em uma sociedade tradicional o conhecimento dos ofós, encantações transmitidas oralmente é essencial. Neles encontramos a definição da ação esperada de cada uma das folhas que entram na receita.Conseqüentemente, entre os iorubás, a preparação dos remédios e trabalhos mágicos, devem ser acompanhados por encantações, (ofós), com o nome da planta, sem as quais esses remédios e trabalhos não agiram. Conforme já foi dito.

Entre os iorubás os ofós são frases curtas nos quais muito freqüentemente o verbo que define a ação, o verbo atuante, é uma das sílabas do nome da planta ou do ingrediente empregado. Tal é o caso de uma receita para chamar boa sorte (àwúre oríre): deve-se usar ajifá bi àlá (IPOMOEA CAIRICA), às quais se adicionam afárá oyim (favo de mel), queima-se tudo até obter um pó preto, que é misturado com azeite de dendê e lambido por aquele que deseja obter boa sorte. O verbo atuante é fó (rere) -para trazer boa sorte, uma sílaba incluída em todos os nomes dados.

Existem várias plantas cuja presença, a primeira vista, parece ter somente um caráter simbólico mais que, na realidade, tem valor terapêutico. A exemplo de duas plantas aquáticas, ojú oro (PISTIA STRATIOTES, Araceae, a alface d’ água) e òsíbàtà (NYMPHEA LOTUS, Nymphaceae, o lótus), que em seus ofós evocam a idéia de superioridade e dominação as frases que seguem:

Ojú oró ni í lékè omi – Ojú oró está sobre a água.


Òsíbàtà ni í lékê odò – òsíbàtà está sobre o rio.


Nessas encantações, os nomes de folhas são acompanhados de duas a três linhas descrevendo suas qualidades naquele caso em particular. A uma certa folha podem ser atribuídas virtudes diferentes segundo sua associação com um ou outro conjunto de folhas, pois elas entram na composição de diferentes preparações medicinais.

Na terra em iorubá, a nomeação das plantas leva em conta suas características: cheiro, cor, textura das folhas, reação ao toque provocada pelo seu contato, entre outro. Como cada orixá tem sua folha, ela tem uma característica pessoal. Uma planta de Oxum será classificada como doce independente do gosto; uma planta de Yemanjá será salgada. Esses e outros fatores levam a atribuir uma planta a Oxum ou Yemanjá.

Pode-se assim concluir que para o candomblé, é de grande importância o entendimento e o conhecimento das folhas e seus respectivos patronos, pois estes indicarão qual será a sua finalidade. Para você leitor pode ser complicado ouvir e falar sobre as plantas, porque é muito complexo, vai alem da simples colheita. Envolve ritos que vão desde a consulta e até a indicação, coleta, manipulação e a administração do preparo.

O papel sagrado e terapêutico, aparentemente diferente, dificilmente poderá ser dissociado um do outro como afirma vários estudiosos sobre o assunto, a exemplo de Ordep Serra, Pierre Verger e José Flávio Pessoa de Barros.

A sacralização das plantas usadas como remédio, acontece quando estas passam a fazer parte dos rituais de cura, guiadas por divindades ou entidades que administram esses objetos sagradas que são as plantas.

Alexandre de Odara
fonte:http://soberanayemanja.blogspot.com

domingo, 21 de agosto de 2011

OSSÃE - O SENHOR DAS FOLHAS

Origem e História

Kó si ewé, kó sí Òrìsà, ou seja, sem folhas não há orixá, elas são imprescindíveis aos rituais do Candomblé.

Cada orixá possui suas próprias folhas, mas só Ossaim (Òsanyìn) conhece os seus segredos, só ele sabe as palavras (ofó) que despertam seu poder, sua força.

Ossaim desempenha uma função fundamental no Candomblé, visto que sem folhas, sem sua presença, nenhuma cerimônia pode se realizar, pois ele detém o axé que desperta o poder do ‘sangue’ verde da folhas.
As folhas de Ossaim veiculam o axé oculto, pois o verde é uma das qualidades do preto. As folhas e as plantas constituem a emanação direta do poder da terra fertilizada pela chuva. São como as escamas e as penas, que representam o procriado. O sangue das folhas é uma das forças mais poderosas, que traz em si o poder do que nasce e do que advém.
É preciso esclarecer que o sangue (ejé) é um elemento essencial no Candomblé.

Três são os tipos de sangue: o vermelho, dos animais, do azeite-de-dendê, do mel; o preto (verde), do sumo das folhas, e o branco, do sêmen, do vinho de palma, da água.

As folhas constituem o fundamento inicial do Candomblé.
Antes de passar por qualquer ritual, o neófito tomará o banho de ervas (amassi) que o purificará e será sua primeira consagração dentro do culto. É com o amassi que se lavam os colares, os objetos rituais do ibá, a cabeça, a alma e o corpo dos iniciados.

É sobre as folhas sagradas de ossaim que repousará o iaô em sua consagração ao orixá. É com as folhas que os animais consentem o sacrifício.

Ossaim é, portanto, a primeira consagração no Candomblé: primeira e constante, pois a folha faz parte do dia-a-dia dos adeptos do Candomblé; Ossaim é imprescindível à religião, aos orixás e aos iniciados.

Todas as folhas possuem poder, mas algumas têm finalidades específicas e não servem para o banho ritual.

Nem todas as folhas servem para os ritos do Candomblé.

Nos banhos de amassi, por exemplo, devem ser utilizadas folha não-leitosas que não queimem; outras, como o Oju-orô, devem passar por uma preparação especial antes de ser utilizadas nos banhos.

Em outros termos, existem folhas que podem ser usadas nos rituais e folhas que não podem; outras devem passar por ritos especiais, algumas folhas não servem para o banho. Enfim, as folhas possuem inúmeras utilidades dentro e fora do Candomblé, mas é preciso que o sacerdote saiba utilizá-las de maneira correta.

Ossaim é o grande sacerdote das folhas, grande feiticeiro, que por meio das folhas pode realizar curas e milagres, pode trazer progresso e riqueza. È nas folhas que está à cura para todas as doenças, do corpo ou do espírito. Portanto, precisamos lutar por sua preservação, para que conseqüências desastrosas não atinjam os seres humanos.

A floresta é a casa de Ossaim, que divide com outros orixás do mato, como Ogum e Oxóssi, seu território por excelência, onde as folhas crescem em seu estado puro, selvagem, sem a interferência do homem; é também o território do medo, do desconhecido, motivo pelo qual nenhum caçador deve penetrar na floresta na mata sem deixar na entrada alguma oferenda, como alho, fumo ou bebida.
Medo de que?
Medo dos encantamentos da floresta, medo do poder de Ogum, de Oxóssi, de Ossaim; respeito pelas forças vivas da natureza, que não permitem a pessoas impuras ou mal-intencionadas penetrar em sua morada. Se nela entrarem, talvez jamais encontrem o caminho de volta.

Ossaim teria um auxiliar que se responsabilizaria por causar o terror em pessoas que entram na floresta sem a devida permissão. Aroni seria um misterioso anãozinho perneta que fuma cachimbo (figura bastante próxima ao Saci-Pererê), possui um olho pequeno e o outro grande (vê com o menor) e tem uma orelha pequena e a outra grande(ouve com a menor). Muitas vezes Aroni é confundido com o próprio Ossaim, que, segundo dizem, também possui uma única perna. Não se pode por isso confundir Ossaim com o Saci-Pererê, que é um personagem do folclore brasileiro. Ossaim é orixá de grande fundamento, que possui uma só perna porque a árvore, base de todas as folha possui um só tronco.

De acordo com a história desse orixá, há uma rivalidade entre Ossaim e Orunmilá, que reflete, na verdade, a antiga disputa entre os Oníìsegùn - mestres em medicina natural que dominavam o poder das folhas - e os Babalawó - sacerdotes versados nos profundos mistérios do cosmo e do destino dos seres, os pais do segredo.

Ossaim é um orixá originário da região de Iraó, na Nigéria, muito próxima à fronteira com o antigo Daomé. Não faz parte, como muitos pensam, do panteão jeje assimilado pelos nagô, como Nana, Omolu, Oxumaré e Ewá. Ossaim é um deus originário da etnia ioruba. Contudo, é evidente que entre os jeje havia um deus responsável pelas folhas, e Ágüe é o seu nome, por isso Ossaim dança bravun e sató, a exemplo dos deuses do antigo Daomé.Uma confusão latente se refere ao sexo de Ossaim; é preciso esclarecer que se trata de um orixá do sexo masculino.
Entretanto, como feiticeiro e estudioso das plantas, não teve tempo de relacionamentos amorosos. Sabe-se que foi parceiro de Iansã, mas o controvertido relacionamento com Oxóssi, que ninguém pode afirmar se foi ou não amoroso, é o mais comentado.

Na verdade, Ossaim e Oxóssi possuem inúmeras afinidades: ambos são orixás do mesmo espaço, da floresta, do mato, das folhas, grandes feiticeiros e conhecedores

fonte:abassananam blogspot