quarta-feira, 27 de abril de 2011

JUREMA (Mimosa hostilis)

O nome "Jurema" vem do tupi-guarani, onde Ju significa "espinho" e Remá, "cheiro ruim".

A jurema é uma planta da família da leguminosas. Os frutos das plantas leguminosas são vagens. Existem várias espécies de jurema, como por exemplo: Jureminha, Jurema Branca, Jurema Preta, Jurema da Pedra e Jurema Mirim.

A Jurema, também conhecida como Jurema-preta, também é nome de uma Bebida Sagrada feita com a raiz da árvore do mesmo nome (Mimosa hostilis).

Os pajés, sacerdotes tupis, também fazem outra Bebida Sagrada da jurema-branca (Mimosa verrucosa), para estimular sonhos afrodisíacos. É um tipo de Bebida Sagrada servida em reuniões especiais.

Das raízes e raspas dos galhos, os feiticeiros e pajés, babalorixás, os mestres do catimbó, os pais-de-terreiro do candomblé de caboclo fazem uso abundante.
Sua substância ativa é o DMT (N-dimetiltriptamina).

É utiliza tradicionalmente para fins medicinais e religiosos.

Sua casca é usada para fins medicinais e a casca de sua raiz é a parte da planta usada nas cerimônias religiosas, pois possui maior parte dos alcalóides psicoativos.

Esta planta tem muita importância no culto espiritual dos caboclos e nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, tanto que dá nome a um culto chamado de "Culto à Jurema".

A jurema é utilizada para tomar banho de descarga com suas folhas.
Serve como defumador , cura de dor de dente, doenças sexualmente transmissíveis, insônia, nervos, dores de cabeça.

Faz ainda: figas, patuás, rosários. Utiliza-se para fazer rezas com suas folhas contra mau-olhado e olho-grande.

Serve ainda para fazer um dos maiores fundamentos do Culto à Jurema, que é uma bebida à base de infusão das folhas da jurema, com casca do tronco e da raiz misturado com mel de abelha, garapa de cana-de-açúcar e cachaça. Essa é a bebida preferida dos Encantados que baixam no Toré e no Culto à Jurema.

Arvore tipicamente paraibana, a jurema é venerada quase como uma divindade. Frondosa e de beleza impressionante, vive mais de 200 anos, é espinheira e sua fama corre o Brasil e o mundo.

Segundo a crença indígena, possui poderes milagrosos, emanando fluidos benéficos.

Em sua parte externa existe uma camada de lodo empregada em defumações, para o banho de limpeza.

Da casca, flor, e folhas são extraídas emulsões para o preparo de bebidas, banhos aromáticos para afastar entidades maléficas e fortificar os mestres.

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ERÓ EWÈ - SEGREDO DAS FOLHAS

Eró ewè (segredo das folhas) ou ervas, são indispensáveis no conteúdo nas “Obrigações ritualísticas”aos Òrìsàs.

A teoria da correspondência mística mostra-nos que cada planta representa um Òrìsà, como várias delas representam vários Òrìsàs.

Na vida ou existência das plantas entram fatores diversos a mantê-las e, por está razão, elas crescem e se desenvolvem sob a égide da proteção divina; recebendo os fluídos positivos e benfazejos que emanam de “Olóòrun” (Deus), as ervas (folhas) armazenam substâncias relacionadas com cada Òrìsà, e essas substâncias se denominam fluídos da energia astral.

“As ervas de Òrìsàs se dividem em 3 partes primordiais, a saber:
POSITIVAS, NEGATIVAS e NEUTRAS.

Elas são catalogadas, conforme a fase lunar da colheita:

POSITIVAS = deverão ser colhidas na fase lunar Crescente ou Cheia;
NEGATIVAS = deverão ser colhidas na fase lunar Minguante;
NEUTRAS = deverão ser colhidas na fase lunar Nova.

Entretanto a sua polarização final vai sempre depender das seguintes condições explícitas:

- “Vibração de quem vai usá-las”
– “Vibração das demais ervas utilizadas”
– “Vibração da intenção com que serão usadas”.


POSITIVAS = São ervas que, quando usadas, só positivam, não podendo ser intrinsecamente usadas para outro tipo de trabalho.

NEGATIVAS = São ervas usadas explicitamente para trabalhos negativos.

NEUTRAS = São todas as ervas que servem para, material ou espiritualmente, neutralizar o efeito de outras ervas, o efeito de doenças, assim como, o efeito de vibrações negativas e/ou positivas.

Paulo de Xangô

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TUDO SOBRE O MILHO (ÀGBÀDÓ)

Àgbàdó (milho)

Venerado companheiro, o àgbàdó (milho) é consagrado não só ao orisá da caça (Odé), mas também está ligada ao culto de Osalá, Ogún e Sangò, sendo fundamental ainda nos rituais ao inkissi Dandalunda.

Nome Yorubá- Àgbàdó

Nome científico – Zea Mays L., Gramineae, Sinonímia: Mays americana Baumg.; Mays vulgaris Ser.; Mays zea Gaertn.; Talysia mays Kuntze; Zea alba Mill.; Zea altissima C.C. Gmel.; Zea americana Mill.; Zea amylacea Sturtev.; Zea amylacea saccharata Sturtev.; Zea cryptosperma Bonaf.; Zea everta Sturtev.; Zea indentata Sturtev.; Zea indurata Sturtev.; Zea maiz Vell.; Zea minor C.C. Gmel.; Zea praecox Steud.; Zea saccharata Sturtev.; Zea segetalis Salisb.; Zea tunicata Sturtev.; Zea vaginata Sturtev.; Zea vulgaris Mill.

Nome popular- Milho, Português; Maïs, na Alemanha; Maíz, Borona, Grano Turco, Mais, Maíz de Indias, Panizo de Indias, em espanhol; Blé de Turquie, Gaude e Maïs, na França; Corn e Silk, em inglês; Fromentone e Grano Turno, na Itália.

Descrição :
Trata-se de uma planta herbácea de alto porte (até 2,5 metros de altura), pertencente à família das Pascias (Gramíneas), caracterizada por apresentar caules eretos com folhas alternadas, largas, lanceoladas, com bainhas, de margem áspera e cortante; flores masculinas reunidas em panículas terminais, e femininas séseis, reunidas em espigas de tamanho grande rodeadas por brácteas membranosas entre as que emergem numerosos estilos filiformes.
O fruto aparece em cariópside, redondo, brilhante, de cor amarelada, inserido no eixo engrossado da inflorescência.

Origem
O milho seria originário de América do Sul, ainda que existam algumas dúvidas sobre seu real lugar primogênito devido a que não foi conhecido em estado silvestre. Alguns indicam que seria originário do Peru, outros indicam Colômbia e um terceiro a América Central, tendo havido historiadores que fizeram referência a origem asiática (Birmânia ou as colinas de Naga), ainda que esta teoria tenha pouca credibilidade.
O certo é que o milho é cultivado atualmente em todo o mundo, sendo os Estados Unidos o principal produtor. Junto ao arroz e o trigo constituem os principais alimentos vegetais para a humanidade

Parte utilizada
Os estilos e estigmas (conhecidos popularmente como "barba de choclo") e a fração insaponificável de óleo de germe de milho. Os estilos e estigmas se colhem quando o fruto está amadurecido.
A separação do gérmen a partir da trituração do grão permite através do mecanismo de pressão e calor (previamente lavado para eliminar restos de amidos e glúten) obter o óleo de milho cru, o qual logo é clarificado por filtração e decantação e posteriormente refinado para eliminar os ácidos graxos por esfriamento e filtração.

História
O milho constituiu o cereal mais importante da América devido a importância dos amidos na alimentação e a indústria. Tem-se encontrado restos fósseis do pólen de milho que datam de 6.000 - 6.500 anos de antigüidade. Na América começaram a cultivar a partir do século XV, existindo algumas referências de seu conhecimento pelos astecas.

Os nativos peruanos extraíam desta planta alcalóides os quais eram utilizados em cerimoniais religiosos. Cristóvão Colombo levou em 1502 amostras deste cereal para a Espanha, e dali ganhou uma rápida expansão até ao sul da Europa, norte de África e Oeste de Ásia.
A partir de sua chegada à América do Norte, se expande finalmente à China durante o século XVI.

Uso Ritualistico: Pertencem aos Orixás Ogun, Oxossi, Xangô, Yemonjá e Oxalá.
As sementes são de uso básico nas casas de candomblé, seja na culinária dos orixás, seja na alimentação cotidiana da comunidade.

O milho branco - Àgbàdó Funfun - é empregado no preparo de acaçá (manjar envolvido em folha de bananeira) e ebô (milho cozido) para Oxalá, Iemanjá e outros Orixás.

O milho vermelho - Àgbàdó Pupa - serve para fazer o acaçá vermelho (para Exú e Ogun), o Axoxó (milho cosido) para Oxossi, Logum Edé e Ogun, e entra na composição do aluá, bebida fermentada de origem africana, servida em dias de festas nas casas de santo.

O milho alho - Àgbàdó kékeré, para Obaluaiyé, Nàná e Oxún.

O milho verde em espiga é próprio de Oxossi, sendo também oferecido a Ayirá, no ritual da fogueira. Serve, também, para fazer uns bolinhos semelhantes ao acarajé, que são apreciados por Yewá.

A planta toda é atribuída a Oxossi, e as folhas são usadas em defumação de terreiros e para "lavar os assentamenos de Exú" para atrair prosperidade e fartura.

A água do milho branco cozido é utilizada em banho calmante.

Os grãos são utilizados nos terreiros, no preparo de varias iguarias que são ofertadas aos òrìxà, tais como:
Ègbo, ègboyá, axoxo, àdun, guguru, akasá branco, akasá de leite, egidi (akasá de milho amarelo), ekó etc.

Vegetal gún, utilizado para atrair prosperidade e boa sorte.

Elementos: Terra/Masculino

Uso em Ifá;
“As folhas (ewe àgbàdo) são usadas em um trabalho para trazer boa sorte (àwúre oríre) que se classifica no odú ìwòrì òfún, também chamado ìwòrì àgbàdo” e em “trabalho para se obter favores das feiticeiras” (Verger 1995:41/42).
Do odu Èjìogbè em “receita para tratar vômito e diarréia” (Verger 1995:185).

“A espiga de milho inteira, odidi àgbàdo, é usada em uma receita para ajudar a mulher a ter um bom parto (awebí) classificada no odu que trata do nascimento de crianças, (...) ogbè òtúrúpon ou ogbè tún omo pon” (Verger 1995:43)

“O sabugo do milho (pòpórò àgbàdo) é usado em trabalho para sair vitorioso de uma luta (ìsegun ìjàkadi), classificado no odù ose méjì ou ose oníjà, “ose-que-gosta-de-briga” (Verger 1995:43,351)

“A palha (háríhá) que envolve a espiga de milho é usada em uma receita para ajudar a mulher grávida a sentir o corpo leve (...), classificada no odu ogbè òtúrá ou ogbè aláso funfun, “ogbè-dono-da-roupa-branca” (Verger 1995:44,277)
Por fim, com a palha do milho é feito um cigarro que é muito apreciado por uma entidade pertencente à Umbanda e o Catimbó, denominada Zé Pelintra.

O cabelo-de-milho é utilizado em “trabalho para conseguir proteção contra Exu” do odu Ose òtúrá (Verger 1995:295).
Com relação ao cabelo de milho, ele costuma ser oferecido para Ode, junto com a espiga, em trabalhos para obter prosperidade e fartura. Já vi pessoas que o ofereciam para Oyá, com o mesmo objetivo.
Outra forma interessante que eu já tive a oportunidade de observar é a utilização de bonecos “voodoo”, feitos com a palha e os cabelos de milho. Nesse caso o intuito era de aproximar duas pessoas.
O cabelo de milho também é utilizado como um fitofármaco que auxilia nas doenças dos rins, tendo efeito diurético e ajudando a baixar a pressão arterial.

“... os grãos de milho torrados (àgbàdo súnsun) são usados em trabalhos para fazer um processo judicial cair no esquecimento (àwúre aforàn ou ìdáàbòbò l’owo ejo) pertencendo ao odu ogbè òtùrá ou ogbè kòléjó, “ogbè-não-tem-processo-na-justiça”.” (Verger 1995:44-45, 341), e em “receita para tratar inchaço da barriga” do odu Ose ìká (Verger 1995:193).

Do odu Ose òtúrá consta um curioso “trabalho para juntar novamente partes cortadas de um corpo” (Verger 1995:385)

Sassanha:
Kini àgbàdo á mú bó? Igba omo.
Kini àgbàdo á mú bó? Igba asó.
Orí’re ni ti àgbàdo.
Àgbàdo rin hòhò l’óko.
O kó ‘re bó wá ‘lé.
Orí’re ni ti àgbàdo

O que o milho está trazendo de volta? Duzentas crianças.
O que o milho está trazendo de volta? Duzentas roupas.
O milho traz boa sorte.
O milho vai para o campo.
E retorna para casa com boa sorte.
O milho traz boa sorte

Outros nomes yorubá: Àgbàdó funfun, Àgbàdó pupa, okà, yangan, erinigbado, erinkà, eginrin àgbado, elépèè, ìjèéré (Verger 1995:737).

o àgbàdó (milho) é consagrado não só ao orisá da caça (Odé), mas também está ligada ao culto de Osalá, Ogún e Sangò, sendo fundamental ainda nos rituais ao inkissi Dandalunda e em outros rituais.

CABELO DE MILHO
A aplicação na medicina caseira está no cabelo. Nasce das espigas ao fruto e às sementes do milho.
As espigas são ligadas a Deusa Iansâ.
A espiga usada como Yteque (amuleto), dependura na porta da cozinha ou copa, sem que lhe retire a palha, fazendo-se uma alça de palha que capeia a espiga e deixando-se a metade, no sentido do comprimento, descoberta, ficando os gãos à vista. É um modo de atrair fartura de alimentos.

Obs.: Quando estiver secando, trocar por outra verdinha.
Na medicina caseira é usado como diurético e para cálculos renais (toma-se o chá)

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LOURO

O louro é uma planta muito comum utilizada em muitos lares por seus importantes benefícios e propriedades, já que pode ajudar a melhorar a digestão.
O louro é uma planta que foi considerada pelos gregos como a árvore sagrada de Apolo. Não em vão, os romanos a utilizavam como símbolo da vitória.

Entre seus componentes, destacam os ácidos fórmico, pelargônio, ácido, cinámico, láurico, caproico, propiónico, linoleico e oléico. Mas, além disso, contém canfeno, terpineno, limoneno e sabineno.

Isso sim, no que se refere a sua composição alimentícia, o louro contém hidratos de carbono, potássio, fibra, cálcio, magnésio, fósforo, vitamina B6, ácido fólico e vitamina C, entre outros.

Deve-se levar em conta que não convém ingerir louro em excesso, já que pode ser prejudicial para aquelas pessoas que tenham um estômago sensível.

Benefícios e propriedades do louro

*Estimula o sistema digestivo, aumentando as secreções e ajudando aos movimentos peristálticos, o que facilita a digestão.
*Em casos de gripe, bronquite e outras afecções do aparelho respiratório, atua como expectorante.
*Favorece a eliminação de líquido, por isso ajuda aos rins. Além disso, é boa em dietas de emagrecimento.
*Diminui as regras abundantes e favorece as que são pobres, por isso podemos dizer que o louro regula a menstruação.
*Tem bons resultados para combater a ausência da menstruação (amenorréia) em forma de chá, ou no combate da nevralgia e reumatismo fazendo fricções com o azeite extraído das folhas. Sobre as partes doloridas.
*Ajuda igualmente contra a ansiedade e o stress, ao ser uma planta relaxante.

Uso na Umbanda:
No ritual é muito utilizada em defumação e banho para atrair prosperidade.

Forma de Uso: Defumação, banho e chá.
Orixás: Yasã / Oya
Características: Árvore de tronco liso.

Folhas semelhantes as da laranjeira, são mais duras que o normal, como se estivessem secas.

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